11.26.2020
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As muitas faces da imersão: realidade e virtual

mulher usando um casaco cinza, com óculos de VR e no fundo o céu azul com nuvens

As expectativas de crescimento para esse mercado são da ordem de 48% até 2030, com um aumento de valor de US$18 bilhões em 2019 para quase um US$1 trilhão em dez anos.

 

Lembro de ter escutado a Adriana, minha doula, pedir que eu respirasse fundo quando senti uma contração mais forte, ainda na garagem do meu prédio. Pude sentir todas as irregularidades do asfalto da avenida a caminho do hospital, cinco minutos que eu não saberia precisar. Quando finalmente chegamos à emergência, eu já estava no que alguns chamam de “partolândia”.

A partolândia é esse lugar de absoluta concentração em si mesma, onde você já não consegue interagir com o ambiente à sua volta. Eu escutava as vozes como um ruído ao fundo, mas não conseguia conversar com ninguém. Lembro que a luz da sala de pré-parto me incomodou muito, mas depois disso houve um mergulho interior, quase um estado de inconsciência, onde me concentrei em seguir meus instintos e achar a melhor posição para trazer minha filha ao mundo. Eu realmente estava em um universo paralelo.

Lembrei dessas sensações, vividas há quase oito meses, em uma conversa sobre experiências imersivas. De tudo o que já experimentei nesta vida, nada foi tão imersivo quanto o nascimento dos meus filhos. Imagino que quem já teve experiências com alucinógenos potentes compartilhe de vivências parecidas quando se trata de realidades paralelas.

A discussão era: o que caracteriza uma experiência imersiva? É estar focado no momento presente? Usar todos os seus sentidos? Poder interagir com os elementos apresentados, não sendo um mero observador passivo? Viver narrativas de fantasia em novas dimensões? Penso que é tudo isso e também que não são necessariamente digitais. Mas a tecnologia pode (e está) ampliando as possibilidades de adicionar novos elementos à nossa realidade, a um tal ponto que determinadas experiências, mesmo virtuais, são interpretadas pelo nosso cérebro como experiências físicas.

Hoje pensando sobre isso e sobre o medo que sentimos do parto, comecei a imaginar como a realidade virtual poderia ajudar nesse momento, trazendo calma e foco nas fases de maior dor, por exemplo. Ou como poderia ser lúdica a experiência do trabalho de parto não só com uma playlist especial, mas em um ambiente especial – na floresta ou no fundo do mar. Não que na hora do “vamos ver” fossemos prestar muita atenção, mas achei divertido brincar com essas possibilidades que a tecnologia já está nos proporcionando.

As expectativas de crescimento para esse mercado são da ordem de 48% até 2030, com um aumento de valor de US$18 bilhões em 2019 para quase um US$1 trilhão em dez anos, de acordo com a consultoria de marketing estratégico P&S Intelligence. E essas experiências se expandem de forma acelerada em diversas indústrias, inclusive na nossa. A diferença entre o que tínhamos disponível para a criação de projetos de realidade aumentada e virtual há dois anos, quando me juntei ao time de RYOT Studio na Verizon Media, e o que temos hoje já é enorme.

Com o avanço do 5G – vocês devem ter acompanhado o lançamento do primeiro iPhone 5G semana passada -, devemos também ver a ampliação dos formatos imersivos em diferentes plataformas. Tanto em termos de hardware, quanto de software e serviços, as “realidades mistas” tendem a se democratizar nos próximos anos. É um território fascinante e às vezes assustador esse das narrativas imersivas criadas digitalmente. Para quem, como eu, começou a trabalhar com “internet” quando a penetração do meio no Brasil era em torno de 40% e viu o mercado evoluir, poder acompanhar desde o início a adoção do 5G e a ampliação do uso das realidades estendidas é estar vivendo o futuro. E com o salto digital que o mundo teve de dar neste 2020 tão desafiador, é ainda mais interessante estar neste mercado.

Para as marcas, é a possibilidade de tangibilizar ou amplificar atributos emocionais e de produto por meio da interação que a imersão possibilita e o storytelling tradicional não. Participar e vivenciar a proposta da marca de outras maneiras, porque os formatos imersivos intensificam experiências cotidianas, tornando-as mais realistas e envolventes em diferentes plataformas – seja no game no celular, em um mundo totalmente virtual ou projetando um objeto na sala da sua casa. E não, nem toda experiência imersiva precisa ser memorável, mas idealmente todas devem resultar em uma melhor forma de contar uma história ou solucionar um problema.

 

Artigo escrito por Ana Raquel Hernandes e originalmente publicado no Proxxima em  23 de novembro.

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